Paisagismo e Acessibilidade

2 Aug 2014

 

 

              A atenção aos cadeirantes foi um dos tópicos desenvolvidos durante o Curso de Educação Continuada e Certificação em Acessibilidade, promovido pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida - SMPED/CPA, do qual participei nos dias 29 a 30 de julho de 2014.

 

               

               O curso, gratuito, visa orientar e capacitar o maior número de engenheiros, arquitetos, técnicos em edificações, paisagistas e demais profissionais que atuem na implementação da acessibilidade em novos empreendimentos e reformas. A finalidade é o cumprimento da norma NBR 9050, da ABNT, que “estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade”. Entendendo, claro, que um ambiente ou edificação acessível é aquele capaz de proporcionar utilização de maneira autônoma e segura à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção.

                Além das aulas expositivas, onde tivemos acesso às leis e normas que regem o assunto, destaco a vivência que nos foi proporcionada no primeiro dia de curso. Voluntários tiveram a oportunidade de dar um passeio no quarteirão, alguns com os olhos vendados e utilizando-se de bengalas de rastreamento, e outros utilizando cadeiras de rodas como meio de locomoção. O objetivo, que ao meu ver foi lindamente alcançado, era o de aproximar os alunos à realidade dos portadores de deficiência e mobilidade reduzida, fazendo-os sentir, literalmente na pele, o dia a dia dessas pessoas.

                Conto aqui um pouco do meu relato como cadeirante: a experiência não foi longa, mas esclarecedora o suficiente para entender que não existem meros obstáculos quando sobre rodas. As calçadas públicas de São Paulo, ou pelo menos as do centro de São Paulo, deixam muito a desejar quando o quesito é acessibilidade. Mesmo onde existem rampas de acessibilidade, elas são muitas vezes impróprias, com inclinação alta ou com desníveis em relação ao leito carroçável. E não pense você que se o desnível for pequeno, não há problema: em certa ocasião, durante a vivência, quase caí tentando atravessar mísero 1cm de desnível, quando a roda dianteira da cadeira (aquela rodinha menor) travou. Uma colega, fatigante, relata outra dificuldade: a quantidade de força necessária para se deslocar em uma praça onde o solo não era plano (e olha que visualmente a inclinação nem parecia grande). Isso sem falar nas tampas das concessionárias (rede de água, esgoto e telefonia), que insistem em formar degraus no meio do caminho.

 

      

              Se formos analisar a qualidade das calçadas em outros bairros, como a Vila Madalena, por exemplo, a realidade fica ainda mais triste: degraus enormes facilitam o acesso dos veículos aos lotes, mas o deslocamento dos transeuntes fica grandemente prejudicado, quem dirá de cadeirantes ou mesmo daqueles que se utilizam de bengalas ou outras formas de apoio. Mas que a cidade é planejada em total favorecimento dos carros e seus motoristas, isso já não é novidade... quem sabe o novo Plano Diretor, sancionado agora no final de julho, ajude a reverter esta situação, trazendo maior mobilidade à cidade de São Paulo. Por enquanto, e utilizando as ferramentas que possuo enquanto paisagista, posso dizer que a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida conta com mais uma ativista.

 

p.s.: Agradeço à prefeitura de São Paulo e aos professores Silvana Serafino Cambiaghi e Eduardo Flores Auge pela oportunidade.

 

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